sábado, 17 de outubro de 2009

Eventos!!!!

ESPAÇO SABINA CULTURAL
Programação
21 de out – quarta – 19h30 :“Prosa, Poesia e Música - Processo de criação.”
Prof. Ademar Oliveira de Lima
Especializado em Literatura e músico
Prof. Maurício Sérgio Dias
Mestre em História e músico

28 de out - quarta – 19h30: “De médico e louco todo mundo tem um pouco”
Reflexões sobre a saúde mental na contemporaneidade
Prof. Wilson Klain
Psicanalista, professor universitário, pós-graduado (PUC-SP) e editor do site Psicologia no Cotidiano

04 de nov – quarta – 19h30: “Escolhas que eu faço”
Dra. Neide Abreu
Médica pediatra, terapeuta de família e casal

domingo, 2 de agosto de 2009

Quando Deus quer ninguém segura!!

Está escrito nas palavras....


Começo este texto com um pedido de desculpa ao leitor por me ausentar dos meus escritos. Fato que se deu em virtude das férias e de uma gripe tão forte que me derrubou na cama! Eu, ao contrário de muitos, estou aqui agradecendo a gripe por me dar repouso absoluto por uma semana. Se não fosse ela, eu não teria descansado na marra! Mas vamos ao que interessa.

Naquele dia havia chovido muito. A estrada estava escorregadia, muitos granizos espalhados pela pista. O motorista dirigia com muito cuidado. Olha que todo o cuidado ainda era pouco. O nome dele era Batista. Como você já sabe, eu tomei esta carona na marginal do Rio Sorocaba. O destino era Jandira.

Dizia ele, que se você acreditar em Deus nem precisa estudar! Argumentava ele que o acontecido em sua vida éra uma prova cabal de que isso é verdade! Estava desempregado e frequentava naquele dia a igreja e havia orado para Deus que arrumasse uma colocação naquele dia! E foi atendido. Havia falado para o dirigente da cerimônia do seu problema e naquele culto foi falado para cominidade do seu problema. Foi então que apareceu um irmão e ofereceu uma vaga de motorista de caminhão e uma moradia nos fundos da casa.

Ele aceitou de pronto e foi trabalhar para o senhor! Viveu uma vida de rei. Viajava com o caminhão durante a semana e aos finais dela era motorista da família. Os anos foram passando ele ainda solteiro. Várias candidatas foram aparecendo, porém nenhuma tinha mexido com o seu coração. Era a vontade de Deus! Eis que um dia aconteceu o acidente que mudou totalmente a sua vida.

Recebeu um recado de sua patroa para que fosse urgente à cidade de Ribeirão Preto acompanhar o desfecho do acidente contecido com o seu Alencar, o seu patrão. Acompanhou passo por passo tudo e voltou com o caixão para o velório. Foi muito triste a despedida. E foi neste velório que ficou sabendo pela boca da própria viúva que agora ele teria recebido a incubência de tratar da família como se fosse o patrão. E assim foi. Delegaram a ele alguma funções de patrão. O tempo foi passando as delegações foram aumentando que até uma delas atingiu o seu coração. Hoje é casado com a viúva e padrasto de duas meninas maravilhosas.

A última fala dele antes de eu descer no trevo foram:

- Você vê professor, eu tenho só até a quinta série e no entanto Deus me preparou para um destino que hoje estou cumprindo! Arrumei uma mulher maravilhosa e que amo, duas filhas mais que maravilhosas e um patrimônio razoável de cinco caminhões! Só por isso que eu consegui das mão divinas, já me faz acreditar que quando Deus quer a gente não precisa ralar tanto! Não é verdade?

Eu respondi monossilabamente:

- É!

Entretanto o leitor é quem vai ficar com a palavra resposta ao caminhoneiro! Até a próxima carona!

(Ademar Oliveira de Lima)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Um tucho no cabeção


Se você tem medo de morrer, não leia!!


Tinha acabado de fazer uma prova de linguística e saí às pressas, tinha de estar na cidade de Jandira às 16:00 horas. O leitor sabe que o tempo para o professor urge mais do que para os outros! A agenda nossa é cheia, mas o prazer é ainda maior de ensinar e até arrepia um educador quando o aluno consegue entender o que preparamos! É uma alegria sem igual! Falo isto, porque tenho certeza que estou na profissão certa de educador e acredito que deve ser um calvário para aqueles que cairam de pára-quedas na carreira de professor e não na de educador!

Já na marginal do Rio Sorocaba, mais uma vez para a labuta. Parou um carro e eu pedi uma carona. De pronto fui aceito. O veículo estava um pouco suspeito. Havia no tanque de gasolina, ao invez da tampa, um tucho de pano no local. Como não tinha escolha, o tempo urgia, entrei. Não sem antes observar o motorista: ele era um senhor de idade. Usava um rabo de cavalo, o cabelo não era muito comprido, porém com algumas mechas brancas, sinais de uma pessoa já bem vivida, sem dúvidas havia passado várias datas de aniversário. Apresentava-se com um par de botas canos longos e um chapéu do tipo de um sitiante. Esta imagem me deu segurança!

Entrei, a razão agora era de a possibilidade de o cara ser um fazendeiro. A tampa já não era indice de suspeição, mas sim de que, por ventura, no sítio tivesse perdido a tampa do tanque de combustível. Neste lugares pouco se preocupam com esse detalhe, na cidade não passaria desapercebido! Como de costume, perguntei se passaria no pedágio. Uma vez confirmado fiquei tranquilo. Iniciei uma conversa:

- O Sr. sempre passa por aqui?
- Não! Eu estou a serviço na região!
- Qual é a sua profissão?
- Eu não posso falar da minha profissão, porque é perigoso!
- O Sr. sempre dá carona para as pessoas que pedem?
- Não, não sou de dar carona!
- Então, eu fui um cara de sorte?
- Não, é que eu li a placa de professor, então eu parei!
- E se eu tivesse usando para enganar as pessoas?
- Com certeza, você seria uma cara morto!
- Não me diga que me mataria?
- Tranquilamente e sem pestanejar!
- E o que faria com o meu corpo?
- Jogaria aí em alguma estrada vicinal!
- Nossa o Sr. fala com tal naturalidade que estou ficando com medo!

Ele riu e levantou a perna direita e retirou debaixo dela um revólver e apontou para minha cabeça e disse:

- Trate de falar de sala de aula e prove pra mim que é professor ou espere o que vai acontecer!

Eu fiquei meio aturdido com as palavras e pode crer, leitor, que está sendo muito dolorido na minha cabeça contar para você esta história agora! As imagens vêm e voltam sempre com aqueles arrepios de medo! Mas eu aprendi que falar dos próprios medos, ajuda a se livrar deles. Abri a minha pasta, sempre com o olhar apontado do motorista, retirei o conhecido diário de classe e mostrei a ele:

- Pode ver... eu sou professor!

Ele olhou, re-olhou e olhou de novo. Não sei se esses olhares eram por causa do trânsito da Castelo Branco ou porque duvidava de mim.

- Pode olhar, eu tenho até algumas redações para corrigir!

- Pode guardar tudo, eu estava apenas testando você ! Quando parei, eu já sabia que você era professor. Ontem eu passei por aqui e vi você pedindo carona! Eu só não levei você ontem, porque o meu trabalho ainda não tinha terminado por aqui!
- E qual é a sua profissão?
- Eu sou policial militar do Serviço Reservado. Estou investigando alguns policiais desta cidade! Este carro é um daqueles que o agente esquenta para poder fazer o serviço! Você vai descer aí na entrada de Jandira, né?
- Isso mesmo, pode parar ali!
O carro parou e desci ainda com um tremor nas pernas e segui na minha missão de ensinar enquanto eu estiver vivo!

(Ademar Oliveira de Lima)

sábado, 27 de junho de 2009

Banda Pedra1 - agora no YOUTUBE - Não Perca a chance de ver e ouvir!!!


YouTube - coçada nervosa

domingo, 14 de junho de 2009

Uma viagem para pôr no papel!

O homem que morria todo dia!!!

Tinha acabado de almoçar, mandei uma água no cadáver, botei o meu
jaleco e saí com o pé no mundo. Destino a marginal da cidade de Sorocaba, o ano era 1988. Tomei o ônibus e desci na ponte da rua XV de Novembro, desci a rampa e me postei na beira da marginal. Visual: Pasta 007 preta, plaquinha da cidade de Jandira na mão, apontada para a avenida para os motorista que passavam. Primeira carona da minha vida.

Os carros passavam e nem
ligavam para mim. Não é fácil a vida de professor, era o que passava na minha cabeça. E vinha de outra profissão. Era metalúrgico, inspetor de qualidade. Tinha saída da empresa por motivo de greve. Um caminhão parou e eu subi. Não lembro o nome do motorista. Porém para nossa história vamos chama-lo de Zecão. Era um cara grandão, digno do apelido que lhe dei!

Puxei a primeira conversa como
carona:
-
Você faz sempre estas viagem para São Paulo?
- Eu levo madeira de eucalipto para
Suzano!
- O que é feito com essas madeiras?
- É eucalipto! Vira celulose e depois papel!

Bem,
eu era tão por fora de tudo, que nem sabia que celulose viraria papel, mas continuei a conversa:
- Sempre dá
carona para professor?
- Todo dia! Eu viajo sozinho e não é fácil ficar sem falar com
ninguem! Como eu conheço a vida de carona que o professor leva, eu ajudo no que posso!

-
Você não tem medo de carona? Pode ser que seja um disfarce de professor!
- Não acredito nesse
disfarce, por causa da mercadoria que levo! Que bandido vai querer levar um monte de lenha? Mas isso não me preocupa agora! Quando eu era vivo me preocupava!

Quando o
Zecão falou isso. Meu coração começou a bater forte. Fechei minha boca, olhei bem para ele, observei demoradamente o seu comportamento. Não o vi com cara de defunto, puxei conversa ainda meio tremulo:

- E
você morreu de que?
- Eu morro todo dia!
- Como
você morre todo dia cara, nunca vi isso?
- Eu morro de rir dos que andam comigo de
carona, como estou agora rindo de você. Eu gosto do impacto que provoco nos caronas!

-
Alguém já passou mal com o fato de você já ter morrido?
- Já, uma professora, já senhora, acho que quase para aposentar. Eu falei que eu tinha medo de dar
carona quando era vivo, mas depois que morri num acidente perdi o medo de dar carona!
- E a velhinha?
- Começou a ficar nervosa, depois
garrou a soluçar e tremer, em seguida pediu para descer e não teve jeito mais, mesmo falando que era mentira, ela não acreditou. Desceu mesmo na metade do caminho e seguiu a pé!

- E
você não tem dó das pessoas provocando esse medo nelas.
- Eu falo isso só para professores!
- Porque só para eles?
- Não sei, deve ser algum problema que eu tenho,
tanto que tem noite que eu sonho que eu estou no inferno dando aula, sou professor de aprontações!

- Será que é trauma?
- É trauma de escola! Bom aluno não fui não! Eu cheguei até a sétima série, porque a minha mãe pegava no meu pé, senão nem
sabia ler!

O
Pedágio já estava próximo, ele foi parando, parando... parando... até que parou! E eu desci.
(Ademar Oliveira de Lima)




Temos de chegar!!! Pau na máquina!!!!

Sabe aquela viagem que você faz obrigado, porque você precisa trabalhar e não tem saída a não ser de carona? E por este caminho que vou me enveredar! Aguardem as postagens!! Não vai demorar, apenas dependo do estado e da velocidade do carro para chegar!!
Abraços Ademar!!

(Ademar Oliveira de Lima)